O dia em que fiz uma caipirinha em Bruxelas

Há quem goste de Bruxelas e há aqueles que não gostam e não querem voltar. Meu caso com a cidade data de 2001 quando eu fui visitar minha amiga belga e fiquei na casa dela. Voltei mais de três vezes e aprendi a gostar da cidade, da sua Grande Praça com seus prédios que são o melhor exemplo da arquitetura belga. Ela marca o centro da cidade e com certeza você irá passar por ela quando conhecer a cidade.

O fato é que Bruxelas é uma cidade que pode ser encantadora como pode ser decepcionante. Vai depender do seu ponto de vista e da receptividade que você terá dos belgas. No meu caso, como estava com uma pessoa local, só vi pontos positivos. Alguns autores, entre os quais Victor Hugo, consideram a praça a mais bela do mundo. Só para você ter uma ideia da relevância do local.

Enfim, a última vez que eu estive em Bruxelas não fiquei na casa da minha amiga, mas sim em um hostel. Além de ter conhecido pessoas incríveis do mundo todo eu podia andar tranquilamente pela cidade a qualquer hora do dia. Fiquei cinco dias na cidade, e no último dia, quando já voltava para o hostel depois de me encontrar com a minha amiga decidi parar em um bar para tomar uma deliciosa cerveja belga.

Havia apenas dois garçons, o que me serviu e um outro que estava no bar preparando uma bebida. Eu estava sentada próxima ao balcão e fiquei observando o que ele estava fazendo. Vi que ele estava um pouco atrapalhado e perguntei que drinque ele estava preparando: “Uma caipirinha”, ele respondeu. Eu sorri e disse que era brasileira e que tinha percebido que ele não sabia fazer o drinque.

“É a minha primeira vez no preparo”, ele retrucou. Na brincadeira me ofereci para fazer para ele a caipirinha, mas o que eu não esperava era que ele parasse o que estava fazendo e me convidasse a mostrar para ele como era feita. “Te dou uma cerveja se você me ensinar”, ele disse.

Por mais que eu seja brasileira não significa que eu saiba fazer uma caipirinha, mas ele não sabia disso. Então, aceitei o desafio e fui para trás do balcão. Me lembrei da minha tia e da minha mãe que costumavam fazer caipirinha aos sábados para tomar sol na piscina. Forcei a memória para lembrar como deveria fazer e coloquei em prática.

Temendo o fiasco que estava por vir, eu já considerava a ideia de pagar a minha cerveja e sair logo do bar. Assim que terminei o drinque, o garçom olhou para mim, sorriu e levou para a mesa que havia pedido a bebida. O cliente pegou o copo e deu um gole da caipirinha e eu só conseguia pensar: “Por favor, que esteja bom”. Pelo seu rosto não pude ver o resultado, mas vi que ele conversou com o garçom que apontou para mim que já estava de volta à minha mesa.

Pierre, era o nome do garçom, veio sorrindo e disse: “Ele falou para nós te contratarmos. Adorou a sua caipirinha!”. Fiquei muito aliviada e contente porque eu iria tomar a minha cerveja de graça; afinal, todo final de viagem é um pouco apertado, não é mesmo? Tomei a cerveja, fui me despedir do Pierre que sorriu e agradeceu. Ele estava muito feliz em eu ter ajudado.

Peguei minha mochila e sai pelas ruas de Bruxelas com a certeza de que eu havia dado o meu melhor e que, por mais que eu nunca tenha feito uma boa caipirinha, naquele dia alguém ficou feliz com ela. Depois, por e-mail (o Whatsapp ainda não era muito usado na época) contei para a minha amiga belga o que tinha acontecido. Assim, quando cheguei no Brasil e abri o meu e-mail li a respostas dela: “Aposto que estava boa, pena eu não ter pensado em você fazer uma para mim”.

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