O que fazer e não fazer para conhecer uma gueixa de Kyoto

Maquiagem branca como a neve. Batom vermelho. Cabelo preto, amarrado na nuca. Um quimono vibrante adornado e uma risada suave escondida atrás de uma mão espalmada.

A profissão delas é tudo o que resta de uma época passada, e se você tiver a sorte de viajar para o Japão, você terá a chance de ver – ou mesmo, para alguns poucos, conhecer – uma gueixa.

Onde você pode ver uma gueixa?

Kyoto é o lugar para ir, especificamente o distrito de Gion. Porém, se você quiser vê-las sem contar com a sorte é só comprar ingressos para uma das apresentações públicas de dança, como o Miyako Odori que ocorre na primavera. Isso não é possível durante todo o ano, mas é uma ótima experiência.

Embora Kyoto seja o lar da cultura das gueixas, existem outras áreas no Japão com pequenas comunidades de gueixas. Kanazawa abriga o impressionante distrito de casas de chá Higashi Chaya, e há pequenos grupos de gueixas em Yokohama e no distrito de Fukagawa, em Tóquio.

A vida por trás do batom

Uma aspirante a gueixa frequentemente começa seu treinamento quando tem 16 anos como maiko – uma estagiária. Ela então estudará pelos próximos cinco anos, aprendendo caligrafia, etiqueta e poesia, além de se tornar proficiente em vários instrumentos japoneses e memorizar danças extremamente complicadas.

Além disso, ela aprenderá a falar “corretamente” e a transitar na complexa sociedade que vive. Nos últimos anos, houve um ressurgimento de mulheres jovens que ingressaram na profissão, apesar de seus desafios. As gueixas estagiárias são sempre acompanhadas, são proibidas de beber até atingirem a idade legal e têm apenas um dia de folga por semana. Maiko mora com a ‘mãe’ (a dona da casa) e a ‘irmã mais velha’ (uma artista sênior), que são responsáveis ​​por sua educação até que a maiko finalmente faça sua estreia, como uma gueixa de pleno direito.

O que fazer e o que não fazer: etiqueta adequada com uma gueixa

Olhe, não toque

Além das razões óbvias para não incomodar estranhos na rua, as gueixas dedicam horas de trabalho para aperfeiçoar sua aparência e não querem que seus esforços sejam prejudicados. Além disso, os quimonos costumam ser peças únicas e podem custar bem caro!

Use seu bom senso ao tirar fotos

Em Kyoto, as autoridades locais impuseram multas de até 10.000 ienes (cerca de R$ 500) para qualquer pessoa que importunar gueixas para tirar fotos. Claro, pedir uma fotografia educadamente é bem-vindo, mas muitas vezes uma gueixa estará a caminho de um compromisso. Muitas funções a que ela comparecerá pagam grandes quantias por sua presença. Portanto, é compreensível que ela não tenha tempo para parar.

Não seja muito curioso

O mistério é uma grande parte da profissão delas, e é natural sentir curiosidade pelos detalhes de suas idas e vindas. Segui-las, no entanto, é desrespeitoso. As casas de chá são locais muito exclusivos, aceitando apenas clientes conhecidos e seus convidados. Se você deseja obter acesso, o importante é quem você conhece. Porém, há casas de chá que aceitam turistas, é só se informar em seu hotel.

Preste atenção aos sinais

Em torno do distrito de Gion, em Kyoto, você verá placas proibindo fumar e comer na rua, descansar/sentar em certas áreas e o uso de bastões de selfie. Essas placas geralmente visam turistas estrangeiros que não entendem a etiqueta e a cultura japonesa. Tudo o que é realmente necessário é ser educado e respeitar os outros, como costuma ser o caso no Japão. Isso pode parecer um monte de regras, mas é perfeitamente possível fazer uma visita espetacular a Kyoto mantendo o respeito.

Um último conselho …

Pode parecer estranho, mas recomendo deixar a câmera em casa. O vislumbre de uma gueixa costuma ser passageiro quando elas saltam de uma casa de chá e pegam um táxi bem em frente à porta. Em vez de perder o momento lutando para pegar seu telefone ou câmera por causa de uma foto borrada e tirada às pressas, por que não simplesmente aproveitar o momento ao lado da preciosa tradição cultural viva de Kyoto?

As gueixas são artistas e o seu trabalho – transmitido de geração em geração ao longo dos séculos – está a desaparecer gradualmente. Cem anos atrás, havia cerca de 80.000 gueixas em todo o Japão. Hoje o número gira em torno de 2% disso. Em um mundo moderno em que é cada vez mais raro encontrar vislumbres de magia, as gueixas e seu ofício são cada vez mais raros e merecem ser valorizados e protegidos.

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